01 setembro 2006

Pausa para meditação

"O único problema da solidão consiste em como conservá-la. " Mario Quintana
Essa foi a resposta do poeta a uma daquelas perguntas que sempre lhe faziam referindo-se ao fato de viver sozinho. Solidão, uma palavra que adquire vários significados dependendo do contexto. Existe a solidão boa, necessária, da qual não podemos abrir mão para encontrarmos conosco mesmo. Sim, porque estamos sempre cercados de gente por todos os lados, somos pressionados para sermos sempre o que os outros querem e não o que escolhemos pra nós. Essa solidão é tão preciosa e difícil de encontrar, como disse o poeta. Encontrar momentos que sejam só nossos, em que não precisamos provar nada pra ninguém a não ser pra si. Agradar ao seu eu, fugir de todas as normas que a sociedade inventou e criar as suas próprias leis. Isso não tem preço.
"ISSO DE QUERER SER EXATAMENTE O QUE SE É AINDA VAI NOS LEVAR ALÉM... ." Leminski
Mas há um outro tipo de solidão. A solidão do Fernão Capelo Gaivota. A solidão daqueles que voaram alto e são incompreendidos. A solidão dos que abrem caminhos e por isso precisam ir à frente. A solidão daqueles que enxergam numa terra de cegos. A solidão que é um preço a pagar pela ousadia de ser autêntico e não uma cópia. Porque a sociedade de hoje, é paradoxal: ao mesmo tempo que exige das pessoas criatividade, inovações, hostiliza quem toma iniciativas, quem foge dos padrões, quem não obedece aos modelos esteriotipados que a mídia desenha.
Tem vezes que entramos em crise tentando conciliar todas essas coisas, num mundo moderno em que temos de escolher: ou seguimos "deixamos a vida nos levar" ou então assumimos os riscos de construirmos nossa própria história, caminhando com nossos próprios pés, na direção que determinamos.
O bom disso é que quando pensamos que estamos sozinhos, alguém chega inesperadamente e nos oferece a mão, numa subida mais íngreme. Está aí embaixo um exemplo disso. Pena que não consegui colocar a mesma música, que não identifiquei o autor.


Um comentário:

Sergio Amaral disse...

Olá Marli!!
É sempre bom passar por aqui!... Nem que seja para uma boa leitura sem comentários. Há sempre algo bom quando você coloca alguma coisa aqui.

Quanto à solidão do estarmos sozinhos frente à frente com nossa própria pessoa - isso é que é ser redundante e enfático!...rsss -, essa solidão não faz sentido se não retornamos ao mundo renovados. Ela passa a ser uma solidão de fuga e de derrota.

Vencer o mundo é que nos traz alegria. Não vencer o mundo a partir de sua destruição, mas vencê-lo no sentido de compreendê-lo, de apreendê-lo, de propor as soluções possíveis e impossíveis. Esse ir e vir, recolher-se e expor-se, é que movimenta e dá sentido a essa condição humana entre as coisas do mundo e as coisas sagradas. É trazer o sagrado de dentro de si e colocá-lo no mundo. E perceber que esse trajeto não te pertence, não é exclusivo. Ele é inclusivo e é de todos, por onde todos passam.

Acredito que Quintana se refere a esse tipo de solidão, a essa ponte que ele sabia manter preservada e buscava alargá-la mais e mais com sua poesia e sua delicadeza mordaz. Cada verso seu tornava, e ainda torna, essa ponte mais ampla para mais gente passar. Bom saber que você está nesse trajeto.
Não é a solidão da clausura que o poeta anunciava e sim a do contato. O seu contato com o sagrado ele guardava e o seu contato com o mundo ele poetizava.

Um abraço grande pra você e obrigado...
Sawabona!
Sergio

 
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